Ontem (08/02), o programa Fantástico, da Rede Globo, trouxe uma entrevista com Juliane Vieira, jovem advogada cuja história comoveu o país, pois arriscou a própria vida para salvar a mãe e o sobrinho durante um incêndio em seu apartamento. O ato de coragem, que lhe custou queimaduras em mais de 60% do corpo, mobilizou a atenção nacional.
O que a matéria jornalística também revelou é a importância dos hospitais universitários estaduais para a população do estado do Paraná. Foi em dois deles, HU da Unioeste e HU da UEL, que Juliane recebeu atendimento especializado, realizado por equipes altamente qualificadas, comprometidas e reconhecidas pela excelência técnica. Esses profissionais, assim como os docentes e demais trabalhadores das universidades estaduais, sustentam diariamente serviços essenciais à população, mesmo diante de condições adversas.
Obviamente, é impossível ignorar o contraste entre o esforço desses servidores e o tratamento que recebem do governo Ratinho Jr. Enquanto vidas são salvas graças à dedicação e competência de trabalhadores públicos, o governo mantém uma defasagem salarial que já ultrapassa os 50%, corroendo o poder de compra e precarizando as condições de vida dos trabalhadores em todas as universidades estaduais. Trata-se de uma política que desvaloriza quem garante o funcionamento do ensino superior público, da pesquisa científica e da assistência hospitalar que atende milhares de paranaenses.
O caso de Juliane expõe o quanto a sociedade depende do serviço público e de seus profissionais, mas também evidencia o abismo entre essa dependência e a postura do governo estadual, que insiste em formas precárias de contratação, ignora a urgência da recomposição salarial e o impacto direto dessas ações na qualidade de vida dos trabalhadores e dos serviços prestados.
Valorizar os trabalhadores das universidades estaduais não é apenas uma questão de justiça: é uma necessidade para que histórias como a de Juliane continuem tendo desfechos satisfatórios graças à existência de hospitais universitários fortes, equipados e sustentados por profissionais respeitados e remunerados de forma adequada.
– Pela reposição salarial integral já!
– Não à terceirização e precarização das condições de trabalho! Concurso público já!


