Com o aval da administração superior, o Governo Ratinho Jr. afronta a autonomia universitária e impõe o curso de Medicina na Unespar

A expansão de vagas públicas e gratuitas nas universidades estaduais paranaenses, a partir da abertura de novos cursos, é de extrema importância. Isso é inegável. No entanto, é preciso considerar em que condições se dá tal expansão.

Em razão do período eleitoral que se aproxima, o governador Ratinho Jr. assinou o decreto de criação do curso de medicina na UNESPAR, Campus de Apucarana. De forma autoritária e impositiva e, com a anuência da administração superior, a formalização do novo curso se deu sem qualquer debate e deliberação nas instâncias de decisão da universidade. Fica evidente que a UNESPAR está sendo usada, sem pudor, para finalidades outras, que não o desenvolvimento do ensino superior.

Mais uma vez a autonomia universitária é afrontada pela ingerência do chefe do Poder Executivo estadual, ao impor a criação de um novo curso sem considerar a opinião e as reais necessidades da comunidade universitária e da própria UNESPAR. Docentes, estudantes e agentes universitários foram surpreendidos com o anúncio do novo curso, na medida em que esse processo deveria envolver um amplo debate no sentido de construir coletivamente as prioridades acerca dos investimentos a serem feitos, o que de fato não ocorreu acerca do curso de medicina.

O anúncio de dezenas de milhões de reais a serem investidos na criação de um único curso contrasta com o total descaso com a UNESPAR no que diz respeito às condições adequadas para a implementação do ensino superior de uma universidade. São décadas da ausência de investimentos com capacidade de garantir as condições mínimas de funcionamento no sentido de consolidar o tripé ensino, pesquisa e extensão, assim como garantir à UNESPAR o padrão de uma universidade de qualidade social.

Salta aos olhos a precariedade em que se encontram as condições objetivas de funcionamento da UNESPAR, sem dispor de um padrão de investimentos suficientes para garantir a estrutura adequada aos cursos já existentes. Destacam-se a precária infraestrutura física, a ausência de uma política de assistência estudantil com capacidade de possibilitar a permanência dos estudantes, dentre outros diversos problemas que são vivenciados cotidianamente pelo total descompromisso com o financiamento do ensino superior público estadual no Paraná, em especial no âmbito da UNESPAR.

Medidas pontuais e populistas em ano de eleição são usadas para desviar a atenção da comunidade universitária, ocultando a situação lastimável e deprimente em que a UNESPAR se encontra no que diz respeito às condições mínimas para o funcionamento adequado de uma universidade. Tudo indica que a política do “pão e circo” continua sendo a estratégia utilizada para subestimar a inteligência daqueles que buscam superar todas as barreiras para propiciar a formação de milhares de estudantes na UNESPAR.

EM DEFESA DA AUTONOMIA UNIVERSITÁRIA!
POR UMA POLÍTICA DE FINANCIAMENTO DECENTE!
EM DEFESA DA UNIVERSIDADE ESTATAL, PÚBLICA E GRATUITA!

Confira a nota na íntegra

Veja também